sexta-feira, 11 de abril de 2014

Travessia

onde você gostaria de estar hoje?
tudo que se suporta, realmente vale a pena?
seria hoje um bom dia para morrer?

que se vá embora a ilusão da resposta certa
arrogâncias à parte, olhe mais de baixo
que não se vá embora a vontade de suportar

que se vão embora todos os deuses
que me abracem todos os meus demônios
e que dancem em torno de uma fogueira

que o amor e a ternura não desistam de nós
que seus olhos ainda possam me sorrir
e seus braços me protejam do caos

em meio à poeira das estradas de terra
possamos ainda capturar a luz, numa cena épica
ainda que sob as patas de mil cavalos selvagens

que não nos falte a coragem que nos dá impulso
num salto sem rede de proteção
que não nos falte a alegria de prosseguir

e quando os ombros estiverem inexoravelmente cansados
e um sol dourado brilhar num horizonte distante
matizando com suas cores toda uma estrada poeirenta
aí, talvez, seja a hora de respirar fundo e abrir um sorriso brando

****

Pôr-do-sol

quinta-feira, 27 de março de 2014

Marginais

Não se engane, se você não faz parte dos 0,7% da população que concentram 41% da renda mundial, você é periferia, mano...

quinta-feira, 20 de março de 2014

Latidos

não é arte
não é música
tampouco é apenas um latido

observo e digo
como um soco na cara
na parte podre que te habita

preste atenção ao seu preconceito
sua falta de bom senso
desorganiza ainda mais o meu caos
gritar como a criança com fome
é o que sobra quando te observo

não é arte
não é música
tampouco é apenas um latido

minha vontade de ir ao norte
a oeste, sul ou leste
esmorece quando percebo que também lá
hei de te encontrar e toda podridão
mas caminhar ainda é o que me tranquiliza
ainda que seja apenas uma fuga, uma busca

observo e digo
como um soco na cara
na parte podre que te habita

a vontade ressurge, sempre
ainda que a regra permaneça dura como um muro
as flores no asfalto estarão lá
os canhões enferrujam, ainda que se reciclem
a poesia ainda ecoa, ainda que do túmulo

no encontro e no reencontro
na caminhada e no caminho
na fotografia e na poesia
é onde me afasto de ti e encontro a mim

não é arte
não é música
tampouco é apenas um latido

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Do que a vida é feita...

o que me emociona é o mundo
parar, observar, olhar, ouvir, dizer...
o sangue flui? o coração aperta...

dizer, de um jeito ou de outro
qualquer expressão vale a pena?
imagem, palavra escrita ou cantada
tudo vale mil palavras, cantos e fotografias?

na perspectiva que me encanta
vestindo o olho do outro
adivinhando naquela imagem, uma história

toda imagem conta uma história

todo canto canta uma história

todo sussurro tem uma história

toda palavra, numa boa história, é encantada

fotografia, vivida, sentida

cada estrada percorrida é uma viagem

toda viagem é um caminho

dia-a-dia, passo a passo se compõe uma história

e toda viagem deve render uma boa história?

e no fim das contas, ali na derradeira hora
só as histórias... vividas, sentidas, vivas... quase mortas
aos que vêm, vêem e se vão, sentindo, contando e cantando

****




quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Cotidiano

hoje me sinto como a estátua do velho Drummond,
sentado em Copacabana observando o mundo sem expectativas

roubaram-lhe os óculos e nada pode fazer
riem ou choram, não pode mais escrever
se a poesia nos abandona,
já não pode mais ensaiar suas caretas

chuva na cabeça... sentado...
sol, vento, ressaca... sentado...
dia e noite, dia após dia... sentado...

o exagero constrangedor do cotidiano
repetido, cansado, irônico e ácido...

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Silêncio, por favor...

por que diabos a vontade de gritar surge justamente quando o melhor é se manter em silêncio... ?

o aniquilamento, a tragédia e o drama são tão, tão sedutores...

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A vida é um sopro...

"Eu confesso a você que eu tô um pouco cansado de falar de arquitetura. Porque as coisas se repetem, a conversa é a mesma, as perguntas são as mesmas. Mais importante do que a arquitetura é estar pronto pra protestar e ir na rua, isso que é importante, é o sujeito se sentir bem, sentir que não é um merda, que ele tá ali pra ser útil..."

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Aventuras da época de moleque...


Plano A: dirigir-se à BR 277 em Guarapuava, saída principal para Curitiba, em busca de uma carona. Uma vez em Curitiba, tentar novamente carona para o litoral. Chegar em Guaratuba, procurar um amigo do Julio (o Guilherme) que estava vendendo uma barraca a preço muito acessível e dirigir-se à Ilha do Mel.
Plano B: inviável. Qualquer outro plano envolveria uma quantia de dinheiro que não possuíamos. Ou então, desistir e voltar pra casa de cabeça baixa, mas isso não admitíamos.

Leia o texto completo no link a seguir:
http://naoestanoguia.wordpress.com/2013/05/30/ilha-do-mel/

sexta-feira, 17 de maio de 2013