Terça-feira, Dezembro 08, 2009
Link permanente do post abaixoSuportar minha solidão com palavras que não me traduzem é uma louca tentativa de permanecer em silêncio, abafando um grito insano, lamúrias e disparates desnecessários, inconvenientes e indesejáveis. Tentar significar, dar sentido a qualquer estado de espírito nestas horas é como que o armazenamento de material explosivo desgastado levemente pelo contato com o branco da folha. Mesmo assim, se não o fizesse, seria como que atear fogo ao estopim embebido em álcool que foi destilado em minhas próprias veias.
Quinta-feira, Dezembro 03, 2009
Link permanente do post abaixoda incompreensão e das tentativas de se dizer...
Se não digo o que vai no fundo do pensamento é porque não acredito que realmente valha a pena. Se minha curiosidade sobre os últimos mistérios para os quais ignoro respostas (sem intenção clara de ignorá-las) não fosse uma coisa vã e descartável, morreria de tédio, ou depressão, ou seja lá o que for. Meus recursos linguísticos , que reconheço limitados, fossem menos limitados, ainda assim pouco mais saberia dizer.
Em vão nomeiam amor, vida, memória, solidão. Não há critério válido e pouco se entende, ainda que se demonstre, pois aquele que se expressa é diferente de mim, sua história, suas impressões. Eu não consigo alcançá-lo e ao não alcançá-lo distancio-me também de mim. E por mais que se diga, ainda assim, pouco, muito pouco se clarifica.
Em vão nomeiam amor, vida, memória, solidão. Não há critério válido e pouco se entende, ainda que se demonstre, pois aquele que se expressa é diferente de mim, sua história, suas impressões. Eu não consigo alcançá-lo e ao não alcançá-lo distancio-me também de mim. E por mais que se diga, ainda assim, pouco, muito pouco se clarifica.
****
“Pois mesmo os melhores erram nas palavras quando elas devem significar o que há de mais leve e quase indizível.”
Rainer Maria Rilke
Rainer Maria Rilke
Terça-feira, Dezembro 01, 2009
Link permanente do post abaixoMemória
Imaginar uma trajetória diferente para nossas vidas é uma experiência aterradora. Tentar saber onde estaríamos se tivéssemos ido à direita ou à esquerda ou imaginar como seríamos sem a presença de pessoa muito próxima, nos assusta. Assola-nos nesta tentativa a ausência de memórias de uma situação que ainda não vivemos, tal como a vertigem que nos atinge em queda livre.
Segunda-feira, Novembro 30, 2009
Link permanente do post abaixoAtendendo a pedidos...
Este texto não é recente, mas não havia sido publicado aqui até o momento. Como textos da Mariana têm sido solicitados, estou aproveitando a oportunidade... até que recebamos mais contribuições suas.
****
Insone
Mariana Corrêa dos Santos
Na madrugada
Tela acesa
Corpo aceso
Copo cheio
Eu cuspo fogo?
Sou sopro do dragão, então
Na tela
Virgem inocente
Gargalho
Ora, vejam os gárgulas!
Copo vazio
Tela em espera
Luz
Um corpo nu
O mesmo de sempre
Copo meio cheio
Tela apagando
Eu apagando?
Meu corpo nu?
Madrugada, oras...
Segunda-feira, Novembro 16, 2009
Link permanente do post abaixoNada
Cheguei hoje, de repente, a uma sensação absurda e justa. Reparei num relâmpago íntimo, que não sou ninguém. Ninguém, absolutamente ninguém. Quando brilhou o relâmpago, aquilo onde supus uma cidade era um plaino deserto; e a luz sinistra que me mostrou a mim não revelou céu acima dele. Roubaram-me o poder ser antes que o mundo fosse. Se tive que reencarnar, reencarnei sem mim, sem ter eu reencarnado.
Sou os arredores de uma vila que não há, o comentário prolixo a um livro que se não escreveu. Não sou ninguém, ninguém. Não sei sentir, não sei pensar, não sei querer. Sou uma figura de romance por escrever, passando aérea e desfeita sem ter sido, entre os sonhos de quem me não soube completar.
Penso sempre, sinto sempre; mas o meu pensamento não contém raciocínios, a minha emoção não contém emoções. Estou caindo, depois do alçapão lá em cima, por todo o espaço infinito, numa queda sem direcção, infinitupla e vazia. Minha alma é um maelstrom negro, vasta vertigem à roda de vácuo, movimento de um oceano infinito em torno de um buraco em nada, e nas águas que são mais giro que águas bóiam todas as imagens do que vi e ouvi no mundo – vão casas, caras, livros, caixotes, rastros de música e sílabas de vozes num rodopio sinistro e sem fundo.
E eu, verdadeiramente eu, sou o centro que não há nisto senão por uma geometria do abismo; sou nada em torno do qual este movimento gira, só para que gire, sem que esse centro exista senão porque todo o círculo o tem. Eu, verdadeiramente eu, sou o poço sem muros, mas com a viscosidade dos muros, o centro de tudo com o nada à roda.
E é, em mim, como se o inferno ele-mesmo risse, sem ao menos a humanidade de diabos a rirem, a loucura grasnada do universo morto, o cadáver rodante do espaço físico, o fim de todos os mundos flutuando negro ao vento, disforme, anacrónico, sem Deus que o houvesse criado, sem ele mesmo que está rodando nas trevas das trevas, impossível, único, tudo.
Fernando Pessoa
Livro do desassossego
Sou os arredores de uma vila que não há, o comentário prolixo a um livro que se não escreveu. Não sou ninguém, ninguém. Não sei sentir, não sei pensar, não sei querer. Sou uma figura de romance por escrever, passando aérea e desfeita sem ter sido, entre os sonhos de quem me não soube completar.
Penso sempre, sinto sempre; mas o meu pensamento não contém raciocínios, a minha emoção não contém emoções. Estou caindo, depois do alçapão lá em cima, por todo o espaço infinito, numa queda sem direcção, infinitupla e vazia. Minha alma é um maelstrom negro, vasta vertigem à roda de vácuo, movimento de um oceano infinito em torno de um buraco em nada, e nas águas que são mais giro que águas bóiam todas as imagens do que vi e ouvi no mundo – vão casas, caras, livros, caixotes, rastros de música e sílabas de vozes num rodopio sinistro e sem fundo.
E eu, verdadeiramente eu, sou o centro que não há nisto senão por uma geometria do abismo; sou nada em torno do qual este movimento gira, só para que gire, sem que esse centro exista senão porque todo o círculo o tem. Eu, verdadeiramente eu, sou o poço sem muros, mas com a viscosidade dos muros, o centro de tudo com o nada à roda.
E é, em mim, como se o inferno ele-mesmo risse, sem ao menos a humanidade de diabos a rirem, a loucura grasnada do universo morto, o cadáver rodante do espaço físico, o fim de todos os mundos flutuando negro ao vento, disforme, anacrónico, sem Deus que o houvesse criado, sem ele mesmo que está rodando nas trevas das trevas, impossível, único, tudo.
Fernando Pessoa
Livro do desassossego
Terça-feira, Novembro 10, 2009
Link permanente do post abaixodepois do silêncio
uma vida, um discurso jogado ao vento
decurso de uma incompreensão
agravada dia após dia
um não entender que se agiganta
dor de não saber o que virá
anseios de ser, tornar-se, compreender
ser uma suavidade que te acalma
mas é tanto que se diz sem saber
que tudo fica como um cenário mudo
fico sem entender e não sei mais estar aqui
decurso de uma incompreensão
agravada dia após dia
um não entender que se agiganta
dor de não saber o que virá
anseios de ser, tornar-se, compreender
ser uma suavidade que te acalma
mas é tanto que se diz sem saber
que tudo fica como um cenário mudo
fico sem entender e não sei mais estar aqui
****
Quinta-feira, Outubro 22, 2009
Link permanente do post abaixoSó (Oswaldo Montenegro)
Só (Oswaldo Montenegro)
Vontade de ser sozinho sem grilo do que passou
A taça do mesmo vinho sem brinde, mas por favor
Não é que eu não tenha amigos não, não é que eu não dê valor
Mas hoje é preciso a solidão em nome do que acabou
Vontade de ser sozinho mas por uma causa sã
Trocar o calor do ninho pelo frio da manhã
Valeu a orquestra (se valeu!) mas agora é flauta de Pã
Hoje é preciso a solidão com a benção do deus Tupã, ô menina
E a quem perguntar quando o vento sopra, responda que já soprou
Mas o vento não traz resposta, acabou
A flecha que passa rente, cantor implorando bis
O cara que sempre mente, a feia que quer ser miss
Gaivota voando sob o céu, a letra que eu nunca fiz
Tudo é a mesma solidão mas dá pra se ser feliz
E a quem perguntar quando o vento sopra, responda que já soprou
Mas o vento não traz resposta, acabou
E todo mundo é sozinho, ai de quem pensar que não
A moça com seu vizinho, soldado com capitão
E resta a quem está sem seu amor, amar sua solidão
Hoje é preciso o uivo de um lobo na escuridão
Há o ser da solidão?
Há o ser ou apenas uma ilusão natural de quem experimenta?
O que afinal diz a arte?
Quantos deixaram de ser sozinhos pelo medo do frio,
pela incerteza do que não se sabe se virá?
E quem os condenará? ...
Vontade de ser sozinho sem grilo do que passou
A taça do mesmo vinho sem brinde, mas por favor
Não é que eu não tenha amigos não, não é que eu não dê valor
Mas hoje é preciso a solidão em nome do que acabou
Vontade de ser sozinho mas por uma causa sã
Trocar o calor do ninho pelo frio da manhã
Valeu a orquestra (se valeu!) mas agora é flauta de Pã
Hoje é preciso a solidão com a benção do deus Tupã, ô menina
E a quem perguntar quando o vento sopra, responda que já soprou
Mas o vento não traz resposta, acabou
A flecha que passa rente, cantor implorando bis
O cara que sempre mente, a feia que quer ser miss
Gaivota voando sob o céu, a letra que eu nunca fiz
Tudo é a mesma solidão mas dá pra se ser feliz
E a quem perguntar quando o vento sopra, responda que já soprou
Mas o vento não traz resposta, acabou
E todo mundo é sozinho, ai de quem pensar que não
A moça com seu vizinho, soldado com capitão
E resta a quem está sem seu amor, amar sua solidão
Hoje é preciso o uivo de um lobo na escuridão
****
Há o ser da solidão?
Há o ser ou apenas uma ilusão natural de quem experimenta?
O que afinal diz a arte?
Quantos deixaram de ser sozinhos pelo medo do frio,
pela incerteza do que não se sabe se virá?
E quem os condenará? ...
Quarta-feira, Outubro 21, 2009
Link permanente do post abaixoAndanças
Não sei como parti
Nem sei como mantenho a marcha
Se chegar, talvez nem perceba
Sendo assim, não sou otimista
Nem quanto a resultados
Nem quanto às possíveis paradas
Contento-me, porém, com as paisagens
Se isso me bastasse
Talvez nem soubesse
Nem sei como mantenho a marcha
Se chegar, talvez nem perceba
Sendo assim, não sou otimista
Nem quanto a resultados
Nem quanto às possíveis paradas
Contento-me, porém, com as paisagens
Se isso me bastasse
Talvez nem soubesse
Domingo, Outubro 18, 2009
Link permanente do post abaixoIrregularidades
Há um dito não proferido
em toda ação não realizada
Mas há também com bastante certeza
uma palavra qualquer escondida
no silêncio da noite que me anuncia
de certa melancolia incontida
no sol que se despede...
Haverá sentido profundo
na complexidade infinita da estrutura
ou na simplicidade certeira do efeito
de um tal sentimento?
Sondar tal mistério é poesia
Responder não me cabe
em toda ação não realizada
Mas há também com bastante certeza
uma palavra qualquer escondida
no silêncio da noite que me anuncia
de certa melancolia incontida
no sol que se despede...
Haverá sentido profundo
na complexidade infinita da estrutura
ou na simplicidade certeira do efeito
de um tal sentimento?
Sondar tal mistério é poesia
Responder não me cabe
Terça-feira, Outubro 13, 2009
Link permanente do post abaixoÚltima coisa esmurrada...
Parabrisa do carro, pouco antes de sair de viagem. Prejuízo de R$ 220,00 e muita insatisfação pessoal. Conclusão do estudo: mais uma coisa imprópria para se esmurrar.
"Raiva é insanidade passageira"
Horácio
****
"Raiva é insanidade passageira"
Horácio
****
Quando criança, olhava para os mais velhos como fantasmas divinos, modelos abstratos do que seguir ou não. Buscava a aprovação, assim como a reprovação. Hoje constato perplexo que se aprovo ou reprovo, esta ação se dá sobre mim e não sobre ninguém mais.
Sábado, Outubro 03, 2009
Link permanente do post abaixoDeuses
Todos nós somos ateus em relação à maioria dos deuses que a sociedade já acreditou alguma vez. Alguns de nós apenas não creem em um deus a mais.
Richard Dawkins
The root of all evil?
Richard Dawkins
The root of all evil?
Quinta-feira, Outubro 01, 2009
Link permanente do post abaixoArranjos
não sei como é que se pode ser romântico
mas também não sei como se pode ser amargo
todos com suas razões
todos com suas tendências
o fato é que se apresentam,
mas não se desvelam...
não há essência do romantismo
nem da amargura
pois não há essência em sentir
como não há essência em viver
mas também não sei como se pode ser amargo
todos com suas razões
todos com suas tendências
o fato é que se apresentam,
mas não se desvelam...
não há essência do romantismo
nem da amargura
pois não há essência em sentir
como não há essência em viver
Quarta-feira, Setembro 23, 2009
Link permanente do post abaixoLeituras
Eu sou meu livro de cabeceira
objeto impróprio de uma leitura infértil
salto páginas, buscando o sono
Noite após noite percebo surpreso
que só o que faz sentido finda
Releio, passado
umas e outras páginas que me sustentam
ainda que em pleno ar
subo escadas íngremes
com a infinita incerteza de viver
como em um sonho cinza, apagado
que nos puxa para baixo ou para cima
leio nas paredes um tanto escuras, avisos rasgados
de perigos de guerra, de luta, de morte
como se abafar o grito fosse trazer a calma...
objeto impróprio de uma leitura infértil
salto páginas, buscando o sono
Noite após noite percebo surpreso
que só o que faz sentido finda
Releio, passado
umas e outras páginas que me sustentam
ainda que em pleno ar
subo escadas íngremes
com a infinita incerteza de viver
como em um sonho cinza, apagado
que nos puxa para baixo ou para cima
leio nas paredes um tanto escuras, avisos rasgados
de perigos de guerra, de luta, de morte
como se abafar o grito fosse trazer a calma...
Quinta-feira, Setembro 10, 2009
Link permanente do post abaixoAusências...
Na ausência de expressão própria, algo que talvez valha a pena...
Nesses períodos da sombra, sou incapaz de pensar, de sentir, de querer. Não sei escrever mais que algarismos, ou riscos. Não sinto, e a morte de quem amasse far-me-ia a impressão de ter sido realizada numa língua estrangeira. Não posso; é como se dormisse e os meus gestos, as minhas palavras, os meus atos certos, não fossem mais que uma respiração periférica, instinto rítmico de um organismo qualquer.
Assim se passam dias sobre dias, nem sei dizer quanto da minha vida, se somasse, se não haveria passado assim. Às vezes ocorre-me que, quando dispo esta paragem de mim, talvez não esteja na nudez que suponho, e haja ainda vestes impalpáveis a cobrir a eterna ausência da minha alma verdadeira; ocorre-me que pensar, sentir, querer também podem ser estagnações, perante um mais íntimo pensar, um sentir mais meu, uma vontade perdida algures no labirinto do que realmente sou.
Livro do desassossego
Fernando Pessoa
****
Nesses períodos da sombra, sou incapaz de pensar, de sentir, de querer. Não sei escrever mais que algarismos, ou riscos. Não sinto, e a morte de quem amasse far-me-ia a impressão de ter sido realizada numa língua estrangeira. Não posso; é como se dormisse e os meus gestos, as minhas palavras, os meus atos certos, não fossem mais que uma respiração periférica, instinto rítmico de um organismo qualquer.
Assim se passam dias sobre dias, nem sei dizer quanto da minha vida, se somasse, se não haveria passado assim. Às vezes ocorre-me que, quando dispo esta paragem de mim, talvez não esteja na nudez que suponho, e haja ainda vestes impalpáveis a cobrir a eterna ausência da minha alma verdadeira; ocorre-me que pensar, sentir, querer também podem ser estagnações, perante um mais íntimo pensar, um sentir mais meu, uma vontade perdida algures no labirinto do que realmente sou.
Livro do desassossego
Fernando Pessoa
Quinta-feira, Junho 25, 2009
Link permanente do post abaixoPoeira
há que se lutar tanto para escapar
é essa a metáfora que sempre nos contaram?
é por aí que vai a poesia, a fantasia...
é isso mesmo que acontece?
a gente caminha, caminha e de repente cansa
chuta tanta poeira pela estrada e é tanta estrada
que enfim se mistura à poeira e se deixa levar pelo vento...
é assim mesmo que funciona?
é só isso mesmo? a graça é justamente essa?
é tanta experiência, é tanto peso levantado que a gente fica forte
fica sim, vai e volta... cansa e descansa
e tudo se inverte... toda inércia me move e às vezes engole
me puxa, distende, comprime...
até o trago de uma derrota amarga cair na poeira,
ser grão pequeno que vira nuvem,
aceitar o fluxo numa briga violenta, vida e morte
se esse é o caminho, sejamos...
Rita Apoena
Mas a poeira é só a vontade que o chão tem de voar.
é essa a metáfora que sempre nos contaram?
é por aí que vai a poesia, a fantasia...
é isso mesmo que acontece?
a gente caminha, caminha e de repente cansa
chuta tanta poeira pela estrada e é tanta estrada
que enfim se mistura à poeira e se deixa levar pelo vento...
é assim mesmo que funciona?
é só isso mesmo? a graça é justamente essa?
é tanta experiência, é tanto peso levantado que a gente fica forte
fica sim, vai e volta... cansa e descansa
e tudo se inverte... toda inércia me move e às vezes engole
me puxa, distende, comprime...
até o trago de uma derrota amarga cair na poeira,
ser grão pequeno que vira nuvem,
aceitar o fluxo numa briga violenta, vida e morte
se esse é o caminho, sejamos...
****
poeiraRita Apoena
Mas a poeira é só a vontade que o chão tem de voar.
Terça-feira, Junho 23, 2009
Link permanente do post abaixoDiálogo
“Quando um homem começa a falar, até mesmo as coisas mais simples se tornam complicadas e ininteligíveis.”
“Pois mesmo os melhores erram nas palavras quando elas devem significar o que há de mais leve e quase indizível.”
Hermann Hesse
“Pois mesmo os melhores erram nas palavras quando elas devem significar o que há de mais leve e quase indizível.”
Rainer Maria Rilke
Sexta-feira, Maio 22, 2009
Link permanente do post abaixoSegunda-feira, Maio 11, 2009
Link permanente do post abaixoSociedade e franqueza...
"Demoraria muito tornar-se misantropo quem se ativesse à observação de outrem. É notando nossas próprias fraquezas que acabamos por lamentar ou por desprezar o homem. A humanidade da qual nos afastamos então é a que descobrimos no fundo de nós. O mal esconde-se tão bem, o segredo é tão universalmente guardado, que cada um de nós é aqui vítima do logro de todos: por mais severamente que pretendamos julgar os outros homens, cremo-los, no fundo, melhores do que nós. É sobre esta feliz ilusão que assenta uma boa parte da vida social."
Henri Bergson
Filósofo francês
Filósofo francês
Quinta-feira, Maio 07, 2009
Link permanente do post abaixoSegunda-feira, Maio 04, 2009
Link permanente do post abaixoLembranças
provar o sabor do café
como quem prova o sabor da casa
provar o abraço que aperta forte
como quem prova da alegria e do aconchego
o sabor da fruta
como quem mergulha em água fresca
provar uma lembrança
como que a revivê-la
muito mais intensamente
pois o que fomos, somos sempre mais
viver como que a esquecer de viver
ser como quem é, e prossegue
ainda que só um lampejo faça brilhar um espanto
em meio à escuridão
ainda que eu me recorde, reviva, saboreie, mergulhe e sonhe
apenas de quanto em quando
como quem prova o sabor da casa
provar o abraço que aperta forte
como quem prova da alegria e do aconchego
o sabor da fruta
como quem mergulha em água fresca
provar uma lembrança
como que a revivê-la
muito mais intensamente
pois o que fomos, somos sempre mais
viver como que a esquecer de viver
ser como quem é, e prossegue
ainda que só um lampejo faça brilhar um espanto
em meio à escuridão
ainda que eu me recorde, reviva, saboreie, mergulhe e sonhe
apenas de quanto em quando







