Domingo, Fevereiro 06, 2005

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Caminhos do Ser

Pensando em Leminski

Todos têm suas testemunhas
E ninguém é melhor do que ninguém
Eu não sou o crachá que me rotula
E nem as janelas virtuais que abro
E muito menos, as portas que se fecham
Eu não sou a roupa que me veste
Ou o carro que me conduz
E nem a cidade que me abriga
Sou o resultado, não a causa
Sou o carinho com prazer
Sou a tempestade, não o clima
Sou sorriso aberto em dia triste
Sou as lágrimas que te causei
Sou o abraço da saudade
Mas sou a saudade, não a distância
Sou tudo e todos, mas sou apenas
Uma instância da vasta realidade
Solto em mar de incertezas
Vagando, divagando...
Não, não é rancor, nem amargura
É apenas o susto de olhar e ver
Que copiar é mais fácil
Todos são tão bons ou tão maus
Desfeita a tribo nada resta
Por participação sempre sou muitos
E dos muitos que sou nada me define
E de toda essa inutilidade fundamental
É que surge a vontade de seguir caminhando
Vagando, divagando...


Luiz Ricardo Rech
Déjà vu - Caminhos do ser