Sábado, Abril 30, 2005

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Equilibrando-se

essa tal de calma
não apenas é

não para mim
ela se faz, desfaz

a revolta surge
a paz re-volta

antitética
em agonia

a paz para mim
é construída

se não mantida
desaba... implode

também a mim

Sexta-feira, Abril 29, 2005

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Antiverbosidade

quase não me pronuncio
meu verbo não se faz em discurso
é curto, conciso, pálido, inerte

quase não se desprende da folha
fica assim, simbiótico, semiótico
mudo, quase a sussurrar

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Dúvidas

Se os tempos são modernos e o que é moderno é efêmero e transitório, estamos condenados a estar apenas de passagem? Como capturar o que é essa tal de essência, isso que dizem ser tão importante? Como ser, mais do que simplesmente estar? Será realmente que tudo já foi dito? E se tudo já foi dito, devemos repetir?



Segunda-feira, Abril 25, 2005

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Pegando emprestado... vale?

eu ontem tive a impressão
que deus quis falar comigo
não lhe dei ouvidos

quem sou eu para falar com deus?
ele que cuide dos seus assuntos
eu cuido dos meus

paulo leminski



Domingo, Abril 24, 2005

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Esquecimento

Às vezes me esqueço
do que me faz viver
tenho que perder isso
senão um dia acordo morto

Quinta-feira, Abril 21, 2005

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Vivendo...

Repetindo fórmulas bestas
(Será tudo o que farei?)
Serei tão técnico, mesmo aqui?

Ô vontade de jogar tudo no lixo!
Surge aquela instância e diz: calma...
E quem é que está nervoso?!

Concentração... respire fundo
(Mas o tempo está correndo)
Bateu um medo danado hoje

Vou saber amar tanto quanto preciso nessa vida ligeira?


Quarta-feira, Abril 20, 2005

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Nada mudou...

Olhando adiante
Parecia calma
Mas parecia triste
Um olhar pesado
Incidindo nos ombros
Chegou a doer
Doeu lembrar
Nada mudou
Com medo e triste
Corri para longe



Terça-feira, Abril 19, 2005

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Consumo

Consumo

Segunda-feira, Abril 18, 2005

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Tudo tão mínimo

Tudo tão sintético
Tão rápido
Tão frio
Tão exato
Tudo tão estranho
Todos tão tacanhos
Termina tudo
Tão pouco, é muito
Tanta sagacidade
Tanta rapidez
Tanta velocidade
E o telefone não toca
Que tédio...

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À venda

Dias de muito trabalho
Progresso se diz...
Estagnação é o que sinto

Vendo-me
Aceitam-se benefícios no negócio

Domingo, Abril 17, 2005

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Férias

Férias

Impossível não lembrar da Isa nesta tira...


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Dia

Suave segue o dia
Violência é reinventada
Em si, o dia, nem se dá conta...


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Repassando...

Palavras de rara beleza, por Marco Aurélio, no Garotas Que Dizem Ni.

O que? Se estou com prequiça de escrever e ando repassando muitos textos de terceiros? É bem provável...

Chega de acusações, o texto é bom, todo mundo pra lá!



Sexta-feira, Abril 15, 2005

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Achados e perdidos...

Chegaram até aqui procurando "Versos apaixonados de reconciliação".

A que ponto chega o desespero das pessoas! Bom acho que o visitante acidental não encontrou o que buscava por aqui.

De qualquer forma, obrigado pela visita!


Quinta-feira, Abril 14, 2005

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Amused to Death

Poucas certezas restaram pelo caminho. Muitas desilusões foram se acumulando, coelhinho da páscoa, papai noel, papai do céu, eternidade... Mas nem toda inocência se perdeu, ainda teimo em acreditar em velhos malucos gritando antigas verdades.

(...)
This species has amused itself to death
Amused itself to death
Amused itself to death
We watched the tragedy unfold
We did as we were told
We bought and sold
It was the greatest show on earth
But then it was over
We oohed and aahed
We drove our racing cars
We ate our last few jars of caviar
And somewhere out there in the stars
A keen-eyed look-out
Spied a flickering light
Our last hurrah
And when they found our shadows
Grouped around the TV sets
They ran down every lead
They repeated every test
They checked out all the data on their lists
And then the alien anthropologists
Admitted they were still perplexed
But on eliminating every other reason
For our sad demise
They logged the only explanation left
This species has amused itself to death
No tears to cry
No feelings left
This species has amused itself to death
Amused itself to death


Quarta-feira, Abril 13, 2005

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Desperdício

Expectativas, o que sei que posso
mas sei que não quero
aquilo que desejam, o que não preciso

É sempre o mesmo dilema
conciliar o meu peito com a estrutura
o fogo sempre arde, me queima

Dizem que assim sou desperdício
mal sabem que sempre fui
um dia, um mês, uma vida, desde o início



Um pedido de conselho de João para Carlos, postado por Calene, anunciando uma novidade e esse texto que me veio hoje... quanta coincidência...


Segunda-feira, Abril 11, 2005

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[T4]

Tempo se mede
Pede-se tempo
Tempo se perde

Candura
Luiz Ricardo Rech


Domingo, Abril 10, 2005

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Tortura

Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida Verdade, o Sentimento!
– E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento! ...

Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
– E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento ...

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!


Florbela Espanca
Livro de mágoas


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Crises

Crises

Sábado, Abril 09, 2005

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Vitórias e derrotas

Encontrei um velho cão
Andava na rua, à noite
Não estava a esmo

Um olhar profundo
Tinha até serenidade
Mas faltava-lhe uma perna



Quinta-feira, Abril 07, 2005

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Falharei?

Esta minha palavra tão formal
Um jeito de te manter aí, longe
Tomei um susto, quando na lata
Disseram que não surpreendi

Pensei então, imutável
Perfeitamente dizível, visível
Um ser sempre previsível
Maldição... abatam-me a tiros...

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Distante

Em uma praça sem sol...

Tinha o olhar tão distante
que dava pra observar
sem sequer ser notado

Um olhar distante
e eu mais ainda
apenas observando

Olhava tão longe
que quase se ia
e enfim... se foi


Quarta-feira, Abril 06, 2005

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Consciência

Consciência

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Adeus

Buscando não ser o monstro
Que aos gritos tudo destrói
Com socos pelas paredes...

Sei que te fiz triste, é tudo que sei
Se pudesse, ainda te contemplaria, única
Não posso mais, choro só...

É tudo que sei, ser só...
Tenho manias de juntar-me
São apenas manias, nada mais

Um milésimo diferente,
Tudo teria prosseguido, mas não
Agora o ponto final se fez, nada reticente

Sim, choro só, não há a quem ferir
Meu choro é meu, mas ainda estou aqui
Como que querendo te privar da dor

Buscando ser só, mas sempre aqui
Como se chorasse uma lágrima analgésica
Pra te livrar da dor, essa dor que só nós sabemos



Terça-feira, Abril 05, 2005

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Fuga

Como queria ver os rostos nas ruas
Procuro pelos olhos, mas todos fogem
Todos, sempre fogem...

E eu? Também preciso...
De forma inexata, porém certeira
Mas a porta? Está fechada...

E eu te sigo, procuro, no escuro
Atravesso as ruas, eu grito
Eu sempre repito, mas você? Não ouve...

Eu sempre tento, quase me arrebento
Explico, entendo, duvido, te falo
Tento de novo, atravesso a rua, e você? Nem vê...

Tropeço nas pedras, peço desculpas, mil culpas
Traço minhas rotas, planos de vôo, a vida tem pressa
Me dizem difuso, profuso... eu? Sempre confuso...

Pronto, inacabado, sonhando, magoado...
E a porta nem era essa...


19/jan/2005
Andando pela rua, tentando te encontrar
Luiz Ricardo Rech
Candura

Domingo, Abril 03, 2005

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Exposição

Belo texto do Cruz Almeida sobre exposição. Leiam!

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Eu creio...

Um manifesto de fé na vida
e suas incertezas...

Nas possibilidades que a vida oferece
Na beleza contida na totalidade de cada ser
Que sempre posso merecer uma nova chance
Que devo me esforçar para dar uma nova chance
E que há momentos de decisão dos quais não se foge
Na infinita dor de se pedir perdão
E na força necessária para aceitá-lo com sinceridade
Na poesia, onírica, turva e orgástica
Na música, forte, inspiradora e harmoniosa
Que a vida precisa de equilíbrio para ser
Que o ato de entregar-se é perigoso, mas sublime
Que se deve chorar uma ou duas vezes por ano
Nos sorrisos sinceros, gratuitos e cativantes
Nos olhos tristes e distantes, que sempre me emocionam
Nas vidas que não vivi, porque fui à direita ou à esquerda
Que as rotas para o sentimento são sempre infinitos fractais
Nos beijos, suaves, quentes, úmidos e apaixonados...
No abraço saudoso, sincero e acolhedor dos amigos
No aconchego dos braços de quem se ama
Que amor não tem explicação, no máximo vaga descrição
Que se deve sorrir muito para quem se gosta
Que abandonando o casulo, fica mais fácil amar
Que abandonando o casulo, fica mais fácil ser amado
Na morte, absoluta, inefável, fria e inevitável
Nas mortes, relativas, frias e evitáveis
Mas, sobretudo na vida, que é, agora... não amanhã!


Sexta-feira, Abril 01, 2005

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Loucura

Segue pelo frio da sombra
A sombra sem vida, à luz do vício
A virtude há muito abandonada

Seguindo seus vícios e mais nada
O prazer, antes saboroso, agora é amargo...
O que antes nutria, agora mata

Marca a faca, com sangue e em transe
O vício... vence, verte... ensandece

E o romantismo da loucura também fede
Fosse você, puramente louco, gritaria
Teu choro seria infantil e doloroso

Nada romântico...