Terça-feira, Fevereiro 28, 2006

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Silêncio

há o que se diga que cabe na concisão
há o que se diga que não a preenche
três, quatro linhas?
quando falam, eu as escuto
quando calam, eu as guardo com carinho

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Dizer muito falando pouco. Sempre achei que pudesse. Hoje sei que talvez nem tenha ainda entendido o que de forma concisa foi dito. Quem sabe um dia eu aprenda a entender e quem sabe a dizer, calando. Mas não tem que ter forma o silêncio. Seja de três linhas, seja de duas, seja soneto... seja um poemeto. Mas que seja em silêncio...

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esta vida é uma viagem
pena eu estar
só de passagem

[paulo leminski]

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É disso que eu falo. Faz falta o "filhodaputa".

Segunda-feira, Fevereiro 27, 2006

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Traduzindo

Claro que não é sem interesse... mas claro que não é puro egoísmo também.

De qualquer forma, toda ajuda é bem-vinda:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Feyerabend

Domingo, Fevereiro 26, 2006

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Há quanto tempo...

[T4]

Tempo se mede
Pede-se tempo
Tempo se perde

Candura
Luiz Ricardo Rech


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Costumo estranhar quando vejo alguns pedindo tempo, e aqueles a quem se pede mostrarem-se muito complacentes; ambos consideram aquilo pelo que se pede tempo, nenhum, o tempo mesmo: parece que nada se pede e que nada é dado. Brinca-se com a coisa mais preciosa de todas; contudo ela lhes escapa sem que percebam, pois é um incorporal e algo que não salta aos olhos, por isso é considerado muito desprezível, e em razão disto não lhes atribuem valor algum”.

"A vida divide-se em três períodos: o que foi, o que é e o que há de ser. Destes, o que vivemos é breve; o que havemos de viver, duvidoso; o que já vivemos, certo".

SENECA, Sobre a brevidade da vida. São Paulo: Nova Alexandria, 1993.

Terça-feira, Fevereiro 07, 2006

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Pérolas...

Pérolas encontradas vasculhando sebos: Alexandre do Espírito Santo, professor e escritor londrinense. Impressões, opiniões polêmicas, constatações e muitas especulações. Textos retirados do livro "Lendo a vida". É permitido sim, discordar, pois como o próprio autor diz: "Estas páginas(...) não são teses para serem provadas, nem fórmulas para orientar a vida de quem quer que seja".

Antecipação

Gosto dos meus amigos e do meu café frios. Quando os tenho quentes frustro-me em seguida quando naturalmente se esfriam. Quando me acostumo com eles frios não me decepciono se continuam frios e me alegro se ao longo do tempo não mudaram.


Casamento e passado

Em todo casamento há uma contínua e irrecuperável degenerescência se um busca saber e participar de tudo que o outro faz; e uma indisfarçável máscara de adaptação se cada um busca ignorar tudo que o outro faz. Marido e mulher têm que se proteger, porque sabem demais sobre o que não convém, a um e a outro, que o mundo saiba.
Quando uma das contrapartes usa o conhecimento do passado da outra para ganhar argumentos, ou tirar vantagens de querelas caseiras, age como o mais terrível dos inimigos, por que é, ao mesmo tempo, destrutível e crível.


Controle

Não aceite controle de mulher, de filhos, ou de quem quer que seja. Não existe controle doce nem bem intencionado. Evite, e se não puder, revolte-se contra tudo que ameace sua individualidade. Aquele(a) que busca controlá-lo(a) mantém e enriquece a própria individualidade enquanto solapa a sua.


Gregarismo

Nascemos, sofremos, pensamos, gozamos e morremos sozinhos. Essas ações, no processo da vida, são inteiramente individuais. A divisão delas com outros é apenas aparente. A natureza quis que assim fosse, porque essas ações são elos antecedentes e conseqüentes da cadeia de eventos inerentes ao ato de viver, no qual apenas a individualidade é condição necessária e suficiente.
Quando, num surto de gregarismo humanista, queremos dividir algumas facetas delas com alguém, logo nos frustramos e descobrimos a falsidade da tentativa. As pessoas mais próximas a nós são também as que mais sacrificam a nossa individualidade, porque são elas que menos atenção prestam às nossas palavras e menos aceitam a nossa auto-afirmação.


Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006

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Desassossego

sou um sossegado em desassossego
sujeito abnegado que se apega
sou sem fome mas não largo o osso
de uma calma serena e explosiva
cheio de uma confiança duvidosa
de uma alegria melancólica
praticando direção defensiva
divagando na pista, pela contramão
indiferente que se envolve
voluntário que não estende a mão
bruto que não ama...