Quarta-feira, Novembro 29, 2006

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De onde vem a poesia?

Parada cardíaca

Essa minha secura
essa minha falta de sentimento
não tem ninguém que segure
vem de dentro

Vem da zona escura
donde vem o que sinto
sinto muito
sentir é muito lento

paulo leminski

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"O poeta é aquele para quem os sentimentos se desdobram em imagens, e as próprias imagens em palavras, dóceis ao ritmo, para os traduzir"

"O pensamento que é apenas pensamento, a obra de arte que é apenas concebida, o poema apenas sonhado, não custam muito; é a realização material do poema em palavras, da concepção artística num quadro ou numa estátua que demandam esforço. O esforço é penoso, mas também precioso, mais precioso do que a obra que resulta dele, porque graças a ele, tiramos de nós mais do que tínhamos, elevando-nos acima de nós mesmos"

Henri Bergson

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Terça-feira, Novembro 28, 2006

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Estupidez

Originalidade, zero. Diversão garantida.

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"É necessária uma certa dose de estupidez para se fazer um bom soldado."
Florence Nightingale

"O nacionalismo só permite afirmações e, toda doutrina que descarte a dúvida, a negação, é uma forma de fanatismo e estupidez."
Jorge Luis Borges

"O fanatismo é a única forma de força de vontade acessível aos fracos."
Friedrich Wilhelm Nietzsche

"Alguns cientistas acreditam que hidrogênio, por ser tão abundante, é o elemento básico do universo. Eu questiono este pensamento. Existe mais estupidez do que hidrogênio. Estupidez é o elemento básico do universo."
Frank Zappa

"Não há outro inferno para o homem, além da estupidez ou da maldade dos seus semelhantes."
Marquês de Sade

"Existem apenas duas coisas infinitas - o Universo e a estupidez humana. E não tenho tanta certeza quanto ao Universo."
Albert Einstein

Quinta-feira, Novembro 23, 2006

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No caos me sinto à vontade...

Cartões
lrech

Nunca soube me organizar. Até mesmo o que escrevo se perde pelos caminhos. Tantos foram os cartões que deixei para trás que nem sei mais se foram apenas sonhos as promessas de amor eterno que fiz e recebi. Até mesmo o cartão gigante onde figurava um cão-metáfora-eu, ficou em algum lugar do passado caído da mudança, sem dono, sem casa e sem coração.

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Pra quem gosta de nós é um prato cheio...

No meio de tudo você
hg

Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é demais
Quando chega em casa do trabalho quase vivo

Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é o máximo
liberdade pra escolher a cor da embalagem

Nessa selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é normal
Entrar na fila, pagar ingresso
pra levar porrada

No meio de tudo você
Me salva da selva
No meio de tudo você
Me salva da selva

Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é demais
Um pouco de silêncio
e um copo de água pura

Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é o máximo
Se o cara mente mas tem cara de honesto

Nessa selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é normal
Finge que não vê
Diz que não foi nada
E leva mais porrada

No meio de tudo você
Me salva da selva
No meio de tudo você
Me salva da selva

No meio de tudo
Acima de tudo
Você

Domingo, Novembro 19, 2006

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Lucidez

A crítica que não me vem
expediente obrigatório
liberação não permitida
os escritos ficam impugnados
até que um dia me volte a lucidez
e por fim queime os cadernos

Sábado, Novembro 18, 2006

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Chuva

Sempre corri da chuva
Quando aceitei que me molhasse
Ela não veio...

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Segunda-feira, Novembro 13, 2006

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Bravatas


Terça-feira, Novembro 07, 2006

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Vida intensa

Vida intensa
lrech

Olhou nos meu olhos
Arrancou de mim palavras
Ausência
Saudade
Amor

Se é que me faltaram
(Sabendo que faltei)

Se é que senti saudade

Se é que tive amor
(Julgando juras e injúrias)

Do que estou reclamando?
Não é a isso que chamam de intenso?


11/jul/2005

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Piadas... nem sempre têm que ser engraçadas.

Domingo, Novembro 05, 2006

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Sociedade

Sociedade
Carlos Drummond de Andrade

O homem disse para o amigo:
– Breve irei a tua casa
e levarei minha mulher.

O amigo enfeitou a casa
e quando o homem chegou com a mulher,
soltou uma dúzia de foguetes.

O homem comeu e bebeu.
A mulher bebeu e cantou.
Os dois dançaram.
O amigo estava muito satisfeito.

Quando foi hora de sair,
o amigo disse para o homem:
– Breve irei a tua casa.
E apertou a mão dos dois.

No caminho o homem resmunga:
– Ora essa, era o que faltava.
E a mulher ajunta: – Que idiota.

– A casa é um ninho de pulgas.
– Reparaste o bife queimado?
O piano ruim e a comida pouca.

E todas as quintas-feiras
eles voltam à casa do amigo
que ainda não pôde retribuir a visita.

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Sexta-feira, Novembro 03, 2006

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Romântico?...

Do amor

Não falo do amor romântico. Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento. Relações de dependêcia e submissão, paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com amor. Chamam de amor esse querer escravo. E pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado. Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta. A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado. O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita, o amor é um móbile. Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine? Minha resposta? O amor é o desconhecido. Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o amor será sempre o desconhecido. A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação. O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante. A vida do amor depende dessa interferência. A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta. Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim. Não, não podemos subestimar o amor. Não podemos castrá-lo. O amor não é orgânico. Não é meu coração que sente o amor. É a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas. O amor brilha, como uma aurora colorida e misteriosa, como um crespúsculo inundado de beleza e despedida, o amor grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor, se estivermos também a devorá-lo. O amor, eu não conheço, e é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o amor a navega. Morrer de amor é a substância de que a vida é feita, ou melhor, só se vive no amor. E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.

paulinho moska

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Agora ficou claro o que é o amor? Espero que não...


Quinta-feira, Novembro 02, 2006

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Autocrítica?

É sempre a mesma luta filha-da-puta
Esse dia-a-dia que vicia

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autocrítica

substantivo feminino
1 ato de o indivíduo reconhecer as qualidades e defeitos do próprio caráter, ou os erros e acertos de suas ações
2 capacidade de autocrítica

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"Em algum remoto rincão do universo cintilante que se derrama em um sem-número de sistemas solares, havia uma vez um astro, em que animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi o minuto mais soberbo e mais mentiroso da 'história universal': mas também foi somente um minuto. Passados poucos fôlegos da natureza congelou-se o astro, e os animais inteligentes tiveram de morrer. - Assim poderia alguém inventar uma fábula e nem por isso teria ilustrado suficientemente quão lamentável, quão fantasmagórico e fugaz, quão sem finalidade e gratuito fica o intelecto humano dentro da natureza. Houve eternidades, em que ele não estava; quando de novo ele tiver passado, nada terá acontecido. Pois não há pra aquele intelecto nenhuma missão mais vasta, que conduzisse além da vida humana. Ao contrário, ele é humano, e somente seu possuidor e genitor o toma tão pateticamente, como se os gonzos do mundo girassem nele. Mas se pudéssemos entender-nos com a mosca, perceberíamos então que também ela bóia no ar com esse páthos e sente em si o centro voante deste mundo. Não há nada tão desprezível e mesquinho na natureza que, com um pequeno sopro daquela força do conhecimento, não transbordasse logo como um odre; e como todo transportador de carga quer ter seu admirador, mesmo o mais orgulhoso dos homens, o filósofo, pensa ver por todos os lados os olhos do universo telescopicamente em mira sobre seu agir e pensar."

Friedrich Wilhelm Nietzsche.
Sobre verdade e mentira no sentido extra-moral
. (1873)