Quarta-feira, Janeiro 31, 2007
Link permanente do post abaixoSe eu tivesse uma visão longa, daquelas que enxergam pra lá da esquina da dúvida, talvez desse pra escrever uma canção. Não fossem os meus dedos tão rígidos e talvez fosse possível uma serenata. Se minhas pernas não fossem tão bambas quem sabe eu ganhasse a corrida. Se o fôlego não fosse tão curto, alguma vez fosse possível seguir o caminho torto da caneta até um ponto... qualquer.
Terça-feira, Janeiro 30, 2007
Link permanente do post abaixoAvesso
Dizer que alguém está à frente do seu tempo é mais do que constatar a coragem de um indivíduo, é proclamar a infinita falta de coragem daqueles que vivem sempre do mesmo jeito.
O Anticristo - Nietzsche
Vociferando contra o cristianismo, pouco antes dos seus comportamentos mais extravagantes, rotulados de loucura, Nietzsche assim conclui o seu Anticristo:Lei contra o cristianismo
Datada do dia da Salvação: primeiro dia do ano Um (em 30 de Setembro de 1888, pelo falso calendário). Guerra de morte contra o vício: o vício é o cristianismo.
Artigo Primeiro – Qualquer espécie de antinatureza é vício. O tipo de homem mais vicioso é o padre: ele ensina a antinatureza. Contra o padre não há razões: há cadeia.
Artigo Segundo – Qualquer tipo de colaboração a um ofício divino é um atentado contra a moral pública. Seremos mais ríspidos com protestantes que com católicos, e mais ríspidos com os protestantes liberais que com os ortodoxos. Quanto mais próximo se está da ciência, maior o crime de ser cristão. Conseqüentemente, o maior dos criminosos é filósofo. Artigo
Terceiro – O local amaldiçoado onde o cristianismo chocou seus ovos de basilisco deve ser demolido e transformado no lugar mais infame da Terra, constituirá motivo de pavor para a posteridade. Lá devem ser criadas cobras venenosas. Artigo Quarto – Pregar a castidade é uma incitação pública à antinatureza. Qualquer desprezo à vida sexual, qualquer tentativa de maculá-la através do conceito de “impureza” é o maior pecado contra o Espírito Santo da Vida.
Artigo Quinto – Comer na mesma mesa que um padre é proibido: quem o fizer será excomungado da sociedade honesta. O padre é o nosso chandala – ele será proscrito, lhe deixaremos morrer de fome, jogá-lo-emos em qualquer espécie de deserto. Artigo Sexto – A história “sagrada” será chamada pelo nome que merece: história maldita; as palavras “Deus”, “salvador”, “redentor”, “santo” serão usadas como insultos, como alcunhas para criminosos.
Artigo Sétimo – O resto nasce a partir daqui.
Datada do dia da Salvação: primeiro dia do ano Um (em 30 de Setembro de 1888, pelo falso calendário). Guerra de morte contra o vício: o vício é o cristianismo.
Artigo Primeiro – Qualquer espécie de antinatureza é vício. O tipo de homem mais vicioso é o padre: ele ensina a antinatureza. Contra o padre não há razões: há cadeia.
Artigo Segundo – Qualquer tipo de colaboração a um ofício divino é um atentado contra a moral pública. Seremos mais ríspidos com protestantes que com católicos, e mais ríspidos com os protestantes liberais que com os ortodoxos. Quanto mais próximo se está da ciência, maior o crime de ser cristão. Conseqüentemente, o maior dos criminosos é filósofo. Artigo
Terceiro – O local amaldiçoado onde o cristianismo chocou seus ovos de basilisco deve ser demolido e transformado no lugar mais infame da Terra, constituirá motivo de pavor para a posteridade. Lá devem ser criadas cobras venenosas. Artigo Quarto – Pregar a castidade é uma incitação pública à antinatureza. Qualquer desprezo à vida sexual, qualquer tentativa de maculá-la através do conceito de “impureza” é o maior pecado contra o Espírito Santo da Vida.
Artigo Quinto – Comer na mesma mesa que um padre é proibido: quem o fizer será excomungado da sociedade honesta. O padre é o nosso chandala – ele será proscrito, lhe deixaremos morrer de fome, jogá-lo-emos em qualquer espécie de deserto. Artigo Sexto – A história “sagrada” será chamada pelo nome que merece: história maldita; as palavras “Deus”, “salvador”, “redentor”, “santo” serão usadas como insultos, como alcunhas para criminosos.
Artigo Sétimo – O resto nasce a partir daqui.
Segunda-feira, Janeiro 29, 2007
Link permanente do post abaixoHAD - Escassez
Suportar essa minha falta
é o diabo de um peso
Peso que se compõe
com tudo que em mim não há
é o diabo de um peso
Peso que se compõe
com tudo que em mim não há
Quarta-feira, Janeiro 24, 2007
Link permanente do post abaixoHAD - Sobre viver
- Se é possível não viver com toda a intensidade?
- Isso, exatamente...
- É possível fechar os olhos para o calor do sol?
- Talvez.
- E como será possível negar o que se sente?
- Pelo nome ou internamente?
- Internamente.
- Andando sobre a água, mantendo a abeça acima da linha do oceano...
- Isso, exatamente...
- É possível fechar os olhos para o calor do sol?
- Talvez.
- E como será possível negar o que se sente?
- Pelo nome ou internamente?
- Internamente.
- Andando sobre a água, mantendo a abeça acima da linha do oceano...
Segunda-feira, Janeiro 22, 2007
Link permanente do post abaixoAssassinato
Hoje matei meu cacto, despencado da estante. As raízes expostas voaram, ao menos uma vez na vida. Rasguei seu caule para ver a sua vida. Nem a vida, nem a morte eu presenciei. Matei o cacto e fui ao cinema. Aos que um dia encontrarem esta confissão, deixo registrado que o seu verde enterrei nos meus olhos, os espinhos, sob minhas unhas e a terra (sua cama seca) eu joguei no jardim.
****
HAD - Identidade
Sorte têm os outros
que não coincidem com este eu
Eu estou irreversivelmente condenado
a seguir nestas ondas
indefinidamente mergulhado
que não coincidem com este eu
Eu estou irreversivelmente condenado
a seguir nestas ondas
indefinidamente mergulhado
Sexta-feira, Janeiro 19, 2007
Link permanente do post abaixoQuinta-feira, Janeiro 18, 2007
Link permanente do post abaixoHAD - Instantâneo
Catava palavras pelo caminho
mas só com os olhos mesmo
não como aquele com a
máquina fotográfica
Não queria paralisar nada
flagrar o instante, não
Queria sim, sentir o movimento
Que é o poeta, senão um retratista
que vive tentanto captar, sem prender,
o movimento que percebe?
E como é bela a arte daquele que
fotografa com poesia, imprimindo movimento
ao instante estático daquilo tudo que vê.
mas só com os olhos mesmo
não como aquele com a
máquina fotográfica
Não queria paralisar nada
flagrar o instante, não
Queria sim, sentir o movimento
Que é o poeta, senão um retratista
que vive tentanto captar, sem prender,
o movimento que percebe?
E como é bela a arte daquele que
fotografa com poesia, imprimindo movimento
ao instante estático daquilo tudo que vê.
Quarta-feira, Janeiro 17, 2007
Link permanente do post abaixoCrenças e crenças
Conversa ouvida de relance na rua hoje:
- E de onde o senhor acha então que surgiram todas as coisas?
- Eu acho que a explicação é mais ou menos essa aí da ciência, que no começo era tudo uma coisa só que explodiu e foi se formando todo o resto...
Sei não, mas acho que, o simpático senhor calvo e de cabelos grisalhos que tentava convencer as duas senhoras de revistas religiosas embaixo do braço, não deve ter obtido muito sucesso, infelizmente.
- E de onde o senhor acha então que surgiram todas as coisas?
- Eu acho que a explicação é mais ou menos essa aí da ciência, que no começo era tudo uma coisa só que explodiu e foi se formando todo o resto...
Sei não, mas acho que, o simpático senhor calvo e de cabelos grisalhos que tentava convencer as duas senhoras de revistas religiosas embaixo do braço, não deve ter obtido muito sucesso, infelizmente.
Complexos
Desagrada-me o complexo de poeta sofredor. Esse peso falso que permanece depois da escrita. Sofrimento, eloqüência, engajamento... Escreveu? Pronto, já pode rir de novo... não precisa ficar com essa cara amarrada pro resto da vida como se disso dependesse o que alguém vai sentir depois.
****
Razão de ser
Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
(paulo leminski)
HAD - Palavra
Por mais imperfeita
que seja esta palavra
é dela que me sirvo
é com ela que duvido
Mas esta palavra
não me pode refutar
nela não há
a mínima negação minha
E se me engano, tanto melhor...
Civitas Dei, XI, 26
Santo Agostinho
que seja esta palavra
é dela que me sirvo
é com ela que duvido
Mas esta palavra
não me pode refutar
nela não há
a mínima negação minha
****
E se me engano, tanto melhor...
"Nestas verdades, não é preciso temer os argumentos dos acadêmicos, que dizem: E se estiveres enganado? Pois se me engano, sou. Pois o que não existe, na verdade nem se enganar pode; por isso existo se me engano. E já que existo se me engano, como posso me enganar sobre o fato de que existo, quando é certo que existo se me engano? Portanto, como eu, o enganado, existiria mesmo se me enganasse, sem dúvida não me engano ao conhecer que existo."
Civitas Dei, XI, 26
Santo Agostinho
Terça-feira, Janeiro 16, 2007
Link permanente do post abaixoE há poetas que são artistas
E há poetas que são artistas
E trabalham nos seus versos
Como um carpinteiro nas tábuas!...
Que triste não saber florir!
Ter que pôr verso sobre verso, como quem constrói um muro
E ver se está bem, e tirar se não está!...
Quando a única casa artística é a Terra toda
Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma.
Penso nisto, não como quem pensa, mas como quem respira.
E olho para as flores e sorrio...
Não sei se elas me compreendem
Nem se eu as compreendo a elas,
Mas sei que a verdade está nelas e em mim
E na nossa comum divindade
De nos deixarmos ir e viver pela Terra
E levar ao colo pelas Estações contentes
E deixar que o vento cante para adormecermos
E não termos sonhos no nosso sono.
O guardador de rebanhos
Fernando Pessoa - Alberto Caieiro
E trabalham nos seus versos
Como um carpinteiro nas tábuas!...
Que triste não saber florir!
Ter que pôr verso sobre verso, como quem constrói um muro
E ver se está bem, e tirar se não está!...
Quando a única casa artística é a Terra toda
Que varia e está sempre bem e é sempre a mesma.
Penso nisto, não como quem pensa, mas como quem respira.
E olho para as flores e sorrio...
Não sei se elas me compreendem
Nem se eu as compreendo a elas,
Mas sei que a verdade está nelas e em mim
E na nossa comum divindade
De nos deixarmos ir e viver pela Terra
E levar ao colo pelas Estações contentes
E deixar que o vento cante para adormecermos
E não termos sonhos no nosso sono.
O guardador de rebanhos
Fernando Pessoa - Alberto Caieiro
A humana arte de duvidar
Da pergunda fez-se o pranto
(Também dela restou um encanto)
Por isso segue o homem
Por isso ele também canta
(Também dela restou um encanto)
Por isso segue o homem
Por isso ele também canta
Segunda-feira, Janeiro 15, 2007
Link permanente do post abaixoNova fase - A humana arte de duvidar
Se falta um sentido, se há a descrença, se há a consciência, um muro alto. Surgiu a dúvida. Se o pasto não é suficiente, se o horizonte demonstra que existe algo mais além, se a vondade de partir invade e bate junto com o pulso, então surgiu a dúvida.
Tudo ia bem e agora a hesitação. A incredulidade ressurge como no momento incerto do nascimento, de onde partimos do conforto ao frio, do certo à adaptação. O paradoxo de uma passagem que não se pediu, forte e irreversível.
A incerteza do ponto onde se chegará. A expressão do que se sente e que não tem nome. O movimento que se percebe mas que não se aprisiona. A imperfeição da palavra, um medo, um grito, uma dor.
"Começar a pensar é começar a ser atormentado"
Albert Camus - O mito de Sísifo
Tudo ia bem e agora a hesitação. A incredulidade ressurge como no momento incerto do nascimento, de onde partimos do conforto ao frio, do certo à adaptação. O paradoxo de uma passagem que não se pediu, forte e irreversível.
A incerteza do ponto onde se chegará. A expressão do que se sente e que não tem nome. O movimento que se percebe mas que não se aprisiona. A imperfeição da palavra, um medo, um grito, uma dor.
****
"Começar a pensar é começar a ser atormentado"
Albert Camus - O mito de Sísifo
Sexta-feira, Janeiro 12, 2007
Link permanente do post abaixoNovo ano
As ruas estavam vazias
A cidade implodiu, pensei
Que súbita alegria!
Mas que nada, era só um meio recesso
Tentativa vazia de remediar o excesso
A cidade implodiu, pensei
Que súbita alegria!
Mas que nada, era só um meio recesso
Tentativa vazia de remediar o excesso
Quinta-feira, Janeiro 11, 2007
Link permanente do post abaixoQuarta-feira, Janeiro 10, 2007
Link permanente do post abaixoPiadas (?) filosóficas (?)
- Eu passei em Ética!
- Claro, você colou!
Primeira lei da Filosofia: Para cada filósofo existe um outro que se opõe às suas idéias.
Segunda lei da Filosofia: Ambos estão errados.
- Claro, você colou!
****
Jean-Paul Sartre está sentado em um café. O garçom aproxima-se:
- Posso trazer-lhe algo para beber, Monsieur Sartre?
Sartre responde:
- Sim, pode trazer-me um café com açúcar, mas sem creme.
Feito o pedido, o garçom retira-se para providenciá-lo e Sartre retorna ao seu trabalho. Algum tempo depois, no entanto, o garçom retorna e diz:
- Desculpe-me, Monsieur Sartre, nós estamos completamente sem creme - pode ser "sem leite"?
- Posso trazer-lhe algo para beber, Monsieur Sartre?
Sartre responde:
- Sim, pode trazer-me um café com açúcar, mas sem creme.
Feito o pedido, o garçom retira-se para providenciá-lo e Sartre retorna ao seu trabalho. Algum tempo depois, no entanto, o garçom retorna e diz:
- Desculpe-me, Monsieur Sartre, nós estamos completamente sem creme - pode ser "sem leite"?
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Primeira lei da Filosofia: Para cada filósofo existe um outro que se opõe às suas idéias.
Segunda lei da Filosofia: Ambos estão errados.
Terça-feira, Janeiro 02, 2007
Link permanente do post abaixo...
Silêncio
lrech
há o que se diga que cabe na concisão
há o que se diga que não a preenche
três, quatro linhas?
quando falam, eu as escuto
quando calam, eu as guardo com carinho
Silêncio
Mario Quintana
O mundo, às vezes, fica-me tão insignificativo
Como um filme que houvesse perdido de repente o som.
Vejo homens, mulheres: peixes abrindo e fechando a boca num aquário.
Ou multidões: macacos pula-pulando nas arquibancadas dos estádios...
Mas o mais triste é essa tristeza toda colorida dos carnavais
Como a maquilagem das velhas prostitutas fazendo trottoir.
Às vezes eu penso que já fui um dia um rei, imóvel no seu palanque,
Obrigado a ficar olhando
Intermináveis desfiles, torneios, procissões, tudo isso...
Oh! Decididamente o meu reino não é deste mundo!
Nem do outro...
lrech
há o que se diga que cabe na concisão
há o que se diga que não a preenche
três, quatro linhas?
quando falam, eu as escuto
quando calam, eu as guardo com carinho
****
Silêncio
Mario Quintana
O mundo, às vezes, fica-me tão insignificativo
Como um filme que houvesse perdido de repente o som.
Vejo homens, mulheres: peixes abrindo e fechando a boca num aquário.
Ou multidões: macacos pula-pulando nas arquibancadas dos estádios...
Mas o mais triste é essa tristeza toda colorida dos carnavais
Como a maquilagem das velhas prostitutas fazendo trottoir.
Às vezes eu penso que já fui um dia um rei, imóvel no seu palanque,
Obrigado a ficar olhando
Intermináveis desfiles, torneios, procissões, tudo isso...
Oh! Decididamente o meu reino não é deste mundo!
Nem do outro...







