Testemunho de essências indecentes
Tenho um desejo ou dois
Intenções, projetos e insatisfações
Nunca soube o que deveria ser
Na falta de uma definição: sou
Procurei por respostas
As mais importantes foram:
bom dia - boa tarde - chega aí
Recebi ordens: nem todas cumpri
Nenhuma delas me definiu
Joguei muita migalha no chão
Varri sujeira pra trás da porta
Fechei portas de armários bagunçados
Nunca fui consenso
De tudo que pedi, quase nada recebi
E o que me deram foi vital:
Beijos, abraços, carinho e companhia
Não tenho a deus e nem ele a mim
Não vivo no inferno e não sou diabólico
Não fui julgado, não pretendo julgar
Meu juízo, pela média, é insano
Poder eu posso, talvez...
Divertido pensar que sou evoluído
Triste pensar que é mentira
Depois da tristeza? A realidade
Guardo a certeza da mutação
E sua irreversibilidade
Não quero a morte
Muitas batalhas já foram travadas
Já senti o seu cheiro e não gostei
É monótono, monocórdio, definido
A vida é polissêmica, dinâmica
Os cheiros, os gostos e as cores variam
A vida dói imprevisível e indefinidamente
E eu sigo pelas esquinas que passam
Se isso tudo faz sentido ainda estou vivo







