Escrevi e escrevo minha história como máquina que vez por outra aparentemente apresenta defeito. De um dia para o outro, ou da noite para o dia, salta a agulha da trilha e a música é outra, o ritmo se quebra, desmonto em pedaços que não me representam... Resta sempre uma fenda na superfície visível, disfarçada por um meio sorriso, por um olhar desviado, pela emoção de um afago qualquer. O medo que me toma, a angústia que me domina ou a loucura constante – elementos que me compõem –, permanecem no fundo, fervendo, queimando, destruindo, vivendo, passando...
"Não tenho medo nem das chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas. Pois eu também sou o escuro da noite."
****
"Não tenho medo nem das chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas. Pois eu também sou o escuro da noite."
Clarice Lispector (10 de dez. de 1920 - 9 de dez. de 1977)